Melech Mechaya

Melech Mechaya: Sobre

Depois de quase meio-ano em retiro criativo, os Melech Mechaya estream-se em disco com o fantástico «Budja Ba» com o selo da Ovação e estará já à venda a partir do mês de Junho.“Budja Ba” contém, entre várias novidades, alguns dos momentos fortes do espectáculo ao vivo, como a "Dança do Desprazer" (o primeiro single extraído do disco), o tema-título "Budja Ba", e o "Bulgar de Almada", tema que conta com a participação das Tucanas.

Citando António Pires, crítico de Música do Mundo: «Já ninguém questiona que músicos e cantores portugueses se dediquem ao death-metal, ao drum'n'bass, ao hip-hop, ao jazz ou à música erudita. São géneros conhecidos, alguns mais populares que outros, mas que já não causam surpresa ou estranheza. Mas que raio é que leva cinco rapazes portugueses - e nenhum deles judeu, apesar de Miguel Veríssimo, o clarinetista, achar que teve um tetravô que o era - a escolher o klezmer, um género nascido há centenas de anos nas comunidades judaicas do centro e leste europeu, como a sua música de eleição?

Respostas: primeiro o acaso; e depois uma paixão profunda por esta música antiga e estranha, por eles misturada com outras músicas de que também gostam. O guitarrista André Santos e o violinista João Graça, colegas no Conservatório Nacional, receberam de um professor um livro com temas klezmer, que foram depois incluídos em espectáculos do duo de chorinhos brasileiros que André partilhava com o clarinetista Miguel. E gostaram tanto desses temas - o tradicional «Bulgar de Odessa» ou «Misirlou», tornado mundialmente famoso na versão de Dick Dale - que juntaram mais três amigos para tocar um reportório klezmer completo: João Graça no violino, Francisco Caiado na percussão e João Novais (aka João Sovina) no contrabaixo.

O primeiro ensaio, em Novembro de 2006, correu tão bem que - apesar de cada um deles ter outros projectos musicais e ter uma vida profissional activa (nos MM há um economista, um médico, um arquitecto, um biólogo e um professor de música) - logo se lançaram à aventura dos concertos, uma aventura que já os levou a actuar na Festa do Avante, Festival Etnias (Porto), Festival Andanças, Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), Cabaret Maxime (Lisboa), Allariz e Santiago de Compostela e Festival Músicas do Mundo de Vilagarcía de Arousa (Galiza), Festival Ritmus (Açores), Espaço Celeiros (Évora) ou num concerto em nome próprio no Santiago Alquimista, em Dezembro passado, que esgotou por completo esta sala da Costa do Castelo. Concertos - cerca de 60 em dois anos de existência - que são uma festa pegada, cheios de dança, sorrisos e suor. E, proximamente, os MM actuam no Festival Granitos Folk (Porto, 12 de Junho), no Teatro da Comuna (Lisboa, 13 de Junho, lançamento do disco), no FMM de Sines (25 de Julho) e na Špancirfest (Croácia, 25 de Agosto).

O seu álbum de estreia, «Budja Ba», chega agora, no tempo certo. E nele, os Melech Mechaya - que se dizem tão influenciados pelos seminais Klezmatics como pelos Beatles, o guitarrista Django Reinhardt ou os Masada de John Zorn - partem do klezmer para visitar outras músicas que lhe são próximas: a música dos ciganos dos Balcãs, a música turca e árabe, mas também o jazz manouche, o flamenco, o tango ou o fado. Fado? Ah, pois, afinal sempre há lá uma ligação à música portuguesa, no tema «Fado Tantz». E se calhar ainda há outra, ainda mais subliminar, mais subtil: oiça-se o início de «Dodi Li», um tradicional klezmer, e veja-se como este tema está ligado a «Oi Khodyt Son Kolo Vikon» (uma canção de embalar ucraniana) e este a «Summertime» (de George Gershwin, que ao jazz juntava as suas influências judaicas). O mesmo «Summertime» que foi a inspiração maior de Carlos Paredes para a «Canção Verdes Anos». E há lá coisa mais portuguesa que a «Canção Verdes Anos»?

Entre tradicionais klezmer e originais compostos pelo grupo, «Budja Ba» inclui os temas «Dodi Li», «Fanfarra», «Bulgar de Almada», «Nigun 7», «Dança do Desprazer», «Sweet Father», «(Rad Halaila)», «Budja Ba», «Fado Tantz», «Na Festa do Rabi», «Freylach 6.8», «Hava Nagila», «(Melodia da Rua)», «Cravineiro», «Sabituar» e «Harmónica». Os arranjos e a produção são do próprio grupo, que teve como convidadas em alguns temas as Tucanas (vozes, percussões e acordeão) e as vozes de Noémia Santos, Ana Sousa e Irina Santos. A edição é da Ovação.»