Herbert

Herbert: Sobre

Manifesto PCCM(fragmento): "Proibido o uso de um som já existente, o que não permite nem caixas de ritmos nem os efeitos pré programados de um teclado nem temas de outros artistas. Os erros e acidentes fazem parte do resultado artístico" O redactor destas linhas é Mathew Herbert, protagonista de uma carreira brilhante ao longo dos anos 90, cujo auge(no momento) foi o EP Bodily Functions. Até que ponto o inglês presume o seu processo compositivo é algo inaudito, tanto por recursos como por auto exigências filosóficas; cumpre rigorosamente esse manifesto lúcido do compositor electrónico que se alarga até dez pontos. Herbert é capaz de tornar um saco de batatas, portas chiadoras ou uma dor de barriga em instrumentos tão elegantes como o piano, o violino ou o clarinete que também toca. Contudo, qualquer parentesco com os experimentadores usados está fora de lugar, pois para Herbert isso é um simples meio, não um fim. Do jazz ao house, do funk ao techno, Mathew cultivou vários pseudónimos para tantas outras facetas, sendo os mais destacados Doctor Rockit, Radioboy, Wishmountain e claro Herbert. Juntamente com Dani Siciliano, a sua vocalista de veludo e musa gastronómica, maravilharam o mundo há três anos com Around the House. Se esse disco explorava a ideia da música club num ambiente doméstico, com Bodily Functions Herbert tinha alcançado a plenitude artística. O seu trabalho, sem se despojar do humor cáustico nem da imperfeição, é a beleza desnuda, elegante na sua sobriedade formal enganosa. Um ramalhete de canções eternas apresentado na intimidade da Plaça del Rei.