Metallica

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Metallica: Sobre

A antecipação em redor do lançamento do quinto álbum dos Metallica em 1991 estava a chegar a níveis religiosos. Três longos anos tinham passado desde o seu quarto álbum, mais do dobro do tempo passado que qualquer dos seus lançamentos prévios. Nesse tempo, os deuses reconhecidos do rock tocaram por todo o mundo, ganhando dois Grammys e brincando com a popularidade do mundo da MTV, tudo com uma determinação quase napoleónica. Tinham triunfado na formação dos evangelhos do rock e tinham cimentado uma base de fãs quase religiosa por todo o mundo, eles iam ser o equivalente aos headbangers no regresso de Cristo.E logo saiu The Black Album ou Álbum Negro.Por muito que tenha ido directamente para o primeiro lugar dos rankings, Metallica, como o álbum de capa monocromática era chamado oficialmente, era notavelmente mais lento e melódico que os seus álbuns anteriores. Queixas da sua ida para o lado comercial ressoavam a partir de todos os seus seguidores. " Isto não é o nosso Metallica", diziam os fiéis. E tinham razão. Apenas três das canções ultrapassavam os 100 à hora. E ainda por cima, o álbum tinha o equivalente ao sacrilégio do metal rápido: uma balada acústica. Igualmente, o álbum era bem pesado. Já não era a sua Metalica, era a Metallica do mundo. Recuperando gradualmente do choque inicial, os velhos fiéis outra vez o seu álbum e finalmente afirmaram: "Este é bom!".Cinco anos depois, os Metallica cortaram o cabelo. Essa é outra história. A génese da banda começou em Newport Beach, Califórnia em 1981 quando Lars Ulrich, um aspirante tenista nascido na Dinamarca que também tocava bateria, foi apresentado a James Hetfield, um veterano experiente das bandas locais. Os dois, com pouco mais de vinte anos, formaram uma amizade musical que era o total oposto do que estava a ouvir até essa altura e invadindo a onda de Los Angeles. Quando Lars ganhou o seu lugar na compilação Metal Massacre, ele e James convenceram o guitarrista Dave Mustaine e o baixista Ron McGovney a realizar pequenas apresentações na área de Los Angeles e da baía. Também começaram a formar No Life Til Leather, a base do seu primeiro álbum. A voz crua de Hetfield descrevia a sujidade e violência(verdadeira ou imaginária nesse momento) da vida de um viajante. O tom da sua voz era complementado por um ritmo agressivo e princípios arrepiantes. As primeiras canções eram rápidas, ruidosas e não eram pretensiosas. Até essa altura, Metallica não tratavam de inventar novamente a roda, simplesmente usavam-na para pisar tudo o que viesse atrás.No próximo ano e meio, James e Lars fizeram mudanças para determinar o destino dos Metallica. Em São Francisco, galantearam o baixista Cliff Burton, um homem de vários anacronismos, dos quais a fascinação pela moda oxford não era a mais pequena.Mas uma ideologia mais importante de Cliff era a sua inclinação clássica para tocar o baixo, o qual lhe dava mais profundidade às composições metálicas da banda. A banda mudou-se para São Francisco após um pedido de Cliff, mas pouco tempo depois apanharam um camião e foram para a costa este dos Estados Unidos em busca de um contrato discográfico. Os Metallica depois também livraram-se de Dave Mustaine por diferenças profissionais. (Mustaine logo juntou-se aos também pais do thrash, Megadeath).Logo recrutaram Kirk Hammett, antes de Exodus, e também previamente uma reserva dos Metallica quando estavam na Califórnia. Um mês depois, assinaram com a discográfica Megaforce de Nova Jersey e começaram a gravar o seu primeiro álbum.Mais directo do título impossível, Kill`Em All era uma interpretação directa da atitude do tudo ou nada da banda quando se refere ao potencial do heavy metal.Enquanto a letra de James era sem dúvida fria e deserta e o apoio musical sinistro, quase malvado, a mensagem final resultou de uma forma ampla muito positiva. Nas palavras da canção Metal Militia, Metallica tornou-se num grupo "que tratava em transmitir a mensagem". Todos necessitamos de lidar com situações de fúria, depressão e um sentido de impotência. Esta música furiosa, segundo Metallica, pode servir como uma fonte de poder e força para enfrentar esses problemas, como um remédio para facilitar(citando Quiet Riot) a "saúde metálica". Este conceito está metaforicamente representado no título da canção Fight Fire with Fire, o primeiro esforço do segundo álbum da banda, Ride the Lightning.Gravado na nativa Dinamarca de Lars e durante a primeira mini digressão da banda europeia em 1984, Ride the Lightning trouxe a era do descobrimento da banda como músicos e compositores, e eventualmente como quatro homens unidos por uma finalidade comum. Guiando-se de fontes literárias tão variadas como Hemingway, H.P. Lovecraft e o livro bíblico do Êxodo, as canções mantiveram a dinâmica e agressão planeada do primeiro álbum enquanto exploravam o território sociológico e emocional que jamais se tinha tratado no heavy metal. Isso é mais óbvio em Fade to Black, a primeira de uma explosão esquizofrénica importante que se tornaria no símbolo dos anos médios da banda.A discográfica Elektra dirigiu a sua atenção à banda, por isso os dois assinaram contrato, lançando outra vez Ride the Lightning. O álbum entrou no top 100 dos rankings quase sem passar pela rádio e Metallica começou a tocar gradualmente em estádios maiores, partilhando por vezes as suas digressões com o patriarca do metal Ozzy Osbourne.Longe de mostrar as tendências destrutivas tão comuns para as bandas em crescimento, os membros dos Metallica aproximavam-se cada vez mais individualmente e cada vez mais estavam coerentes na sua visão artística. Em 1986, a digressão de Master of Puppets sofreu um pequeno revés quando James partiu o braço enquanto andava em skateboard(uma actividade que deixou quando lhe aconteceu o mesmo passado menos de um ano). Mas isso não se comparou à tragédia devastadora que aconteceria dois meses depois.Nas precoces horas de 27 de Setembro de 1986, os Metallica estavam a caminho desde Estocolmo, Suécia até Copenhaga, Dinamarca. A banda dormia no autocarro da digressão quando o motorista passou por um bocado de gelo no caminho. O autocarro deslizou fora de controlo, eventualmente capotando. Cliff foi lançado do autocarro e acabou por ser esmagado pelo veículo, morrendo quase instantaneamente. Enquanto estavam inconsoláveis após uma tragédia profissional e pessoal dessa magnitude, os sobreviventes do resto dos Metallica(todos fisicamente ilesos após o acidente) encontraram consolo na sua música. Juraram continuar em memória de Cliff e realizaram umas quarentas audições em busca de um substituto, eventualmente seleccionando o baixista Jason Newsted de Flotsam & Jetsam.Os Metallica terminaram os seus restantes compromissos da digressão, incluindo espectáculos no Japão e depois tomou um pequeno desvio. Deixando de lado o luxo de um estúdio na Califórnia, cobriram a garagem de Lars com material contra o som e começaram a tocar canções que os entusiasmaram a tocar música em primeiro lugar. Era a sua oportunidade de prestar homenagem a algumas das suas bandas favoritas e ligarem-se outra vez com as suas raízes metálicas e amolecer o "rapaz novo" da banda. O resultado foi o cru mas igualmente brilhante Garage Days Re-Revisited de 1987.Os Metallica estavam preparados para o triunfo em massa em 1988 e o mundo também se apercebeu com o lançamento de .... And Justice For All. Marcou o final do período agressivo de The Four Horsemen e Damage Inc, James(o único escritor de Justice) levou uma curva interna. James criticou os seus pais pelo seu crescimento no mundo da ciência cristã e a canção Dyers Eve é uma carta aberta aos seus pais, condenando-os por terem travado o seu crescimento. To Live is to Die é uma canção instrumental triste em homenagem a Ccliff Burton. Cada uma dos seus primeiros quatro álbuns contém uma instrumental, começando com o baixo distinto de Cliff em (Anesthesia) - Pulling Teeth do álbum Kill Em`All.Contudo, o melhor de Justice e a primeira oferta dos Metallica nas altas categorias da cultura popular, foi o opus de sete minutos e meio One. Contando a história de um soldado que perde os sentidos após a explosão de uma mina terrestre, One lança-se na profundidade da solidão física e emocional, eventualmente abandonando o que escuta os sons da bateria como uma metralhadora, apenas rastreadores e vozes como as de um soldado gritando que terminam a canção. Metallica fizeram um vídeo da canção, mas estava bem longe da ideologia actual que a MTV passava. One mudava imagens da banda a tocar num edifício abandonado com as do filme E Deram-lhe uma Espingarda..., a inspiração original da canção, onde a personagem principal fica em dor, rezando internamente pela morte. Talvez não era uma mensagem muito positiva, mas era poderosa e original e algo que as pessoas não podiam ignorar.Os Metallica tocaram One nos Grammys de 1989 e um ano depois, ganharam um prémio por melhor apresentação rock. Obtiveram o seu segundo Grammy no ano seguinte e rapidamente estavam em toda a parte. A arte criada por Pushead, o desenhador de camisas e discos, estava a tornar-se em algo tão comum como réplicas de Monet nos quartos de estudantes universitários. E logo entraram no estúdio com o lendário produtor Bob Rock para gravar o notório Álbum Negro.Em termos musicais, os Metallica são do melhor que há. James tem na sua voz a fibra de uma verdadeira estrela de rock, a bateria de Lars explode a níveis estratosféricos, Kirk experimenta todas as possibilidades da manipulação do tom com os seus solos, Jason grunhe quando toca, a produção é exemplar. Mas reinventaram-se para chegar a este ponto. Já não eram exclusivamente "metálicos". Metallica tinham-se tornado numa banda de "Rock pesado". A discrepância pode ser mínima, mas com Metallica, um novo animal tinha nascido. Algumas pessoas não aprovaram esta nova besta, mas muitos o fizeram, e Metallica acabaram por vender mais de 16 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.Ainda a pisar as pessoas após uma década passada quando começaram, os Metallica apoiaram o álbum com quase cinco anos de digressão mundialmente. Para uma porção da digressão nos Estados Unidos, tiveram um palco em forma de diamantes com quatro caras que tinha um espaço vazio no meio que permitia que um pequeno grupo de fãs desfrutassem do espectáculo com apenas milímetros. Durante a digressão de Guns n´Roses - Faith no More, a tragédia outra vez esteve presente quando um artefacto pirotécnico em Montreal explodiu próximo de James, queimando-lhe o braço mas sem ser fatal. Os Metallica logo andaram em digressão novamente e em 1994 claramente estabeleceram um limite entre o passado e o presente ao estrear uma compilação ao vivo que juntava canções dos dois primeiros álbuns. Desde então, são uma banda que olham em frente e mantiveram o metal vivo após a era grunge e levando o género por novas direcções. Para uma banda sem o seu talento, isso seria impossível.Após vários cortes de cabelo que chegaram a ser notícia, Metallica lançaram Load e um ano depois Reload, chegando a níveis de popularidade ainda mais colossais. Nestes dois álbuns, o grupo tomou o som do álbum Metallica e tornou-o mais blues, com mais raízes rock e até algumas vezes, melódico. Ganharam mais prémios, foram um dos principais grupos de Lollapalooza de 1996 e até inspiraram o trabalho de Apocalyptica, um quarteto finlandês que gravou um álbum de canções dos Metallica.Inevitavelmente, Lars, James, Kirk assentaram na vida de casados. Em 1998, Metallica arranjaram Garage Inc, um álbum duplo de canções de outros que reafirmaram a sua fidelidade aos seus antepassados e mostraram que o metal ainda era uma forma vital de música.A mais recente demonstração da vitalidade dos Metallica foi em colaboração com Michael Kaman e a Orquestra Sinfónica de São Francisco. Por duas noites em Abril de 1999 no teatro comunitário de Berkeley, James, Lars, Kirk e Jason acompanhados de uma completa orquestra sinfónica, gravaram versões completas de canções ao vivo que passavam ao longo da sua carreira. Que o grupo que nunca teve medo de fazer algo novo tenha tratado algo novo não é novidade. O que na realidade foi surpreendente é que funcionou. A versão de orquestra de For Whom the Bells Tolls renasce com ainda mais peso e profundidade enquanto a versão instrumental de Call of Ktulu cresce a níveis sem precedentes.Ao longo da sua carreira, os Metallica mantiveram-se interessados na integridade da sua música e com negatividade dirigida ao falso entretenimento. Se alguma vez tomaram algum tipo de rumo, é aquele onde não os importa o que as pessoas dizem dele. A verdade é que sempre apreciaram os seus fãs e ainda mais importante que isso, a eles mesmos. Isto é vísivel durante os seus espectáculos ao vivo e é evidente na forma em que sempre se mantiveram à margem da criatividade, ainda quando pertencem a um género que é conhecido pela sua falsidade na música e puro espectáculo.Em Abril de 1999, os Metallica realizaram um concerto com Michael Kamen e a San Francisco Symphony Orchestra. Este concerto resultou num CD duplo ao vivo (chamado S&M), lançado em Novembro de 1999, contendo duas músicas inéditas: No Leaf Clover e - Human.Em 2000, é lançada a música I Disappear feita exclusivamente para o filme Missão Impossível 2.Em Janeiro de 2001, Jason anuncia a sua saída da banda alegando motivos particulares e pessoais, além do desgaste físico que teve durante os anos, depois de 14 anos com o Metallica.Um ano depois Hetfield sai da clinica e retorna a banda e os trabalhos começam a voltar ao normal. As gravações daquilo que se tornaria o 8 º. álbum da banda continuaram, com a banda como um trio.Depois de mais de 2 anos sem baixista, em Fevereiro de 2003 os Metallica anunciaram o novo elemento da banda: Robert Trujillo.Em Junho de 2003, o Metallica lançaram o seu 8º. álbum de estúdio: St. Anger, com músicas longas, sem solos e produção precária. O álbum reflete o período de turbulência passado pela banda e documentado no filme "Some Kind of Monster".Após cerca de uma década e meia de parceira, os Metallica decidiram que a produção do seu nono álbum de estúdio não ficaria a cargo de Bob Rock, que vinha produzindo os discos da banda desde 1991. O produtor escolhido foi Rick Rubin, que já trabalhou com Slayer, Red Hot Chili Peppers e System of a Down.Devido as duras críticas recebidas pela banda após o St. Anger e a promessa de um som mais old-school, há uma grande expectativa em torno do lançamento deste novo disco. Como parte de uma campanha para promoção do álbum, é lançado em maio de 2008 o Mission: Metallica, site que mostra os bastidores da produção do Death Magnetic, o nono álbum da banda e o primeiro com Rob Trujillo no baixo.Em Setembro de 2008, o disco é finalmente lançado e é recebido sob elogios quanto a sua sonoridade. Muitos consideram este disco como uma volta ao som dos quatro discos clássicos da banda, lançados nos anos 80. Os solos, que foram deixados de lado no St. Anger, estão de volta, a velocidade das músicas e o thrash.