Stereo Addiction

Stereo Addiction: Sobre

O destino fez de tudo para que o caminho dos dois membros de Stereo Addiction nuncase cruzasse. E foi por causa de circunstâncias movimentadas que os dois DJ’s e produtores estiveram afastados durante tanto tempo.

Em miúdos, John‐E e Gustavo viviam em Lisboa, mas nunca se conheceram. Subindo as mesmas árvores e prédios altos na cidade velha onde cresceram. A horas diferentes, tinham o hábito de procurar no horizonte de Lisboa sonhos de miúdos “troublemakers”, no céu aberto imaginavam‐se rebeldes. Queriam acompanhar o movimento do mundo com batidas sonoras.

Ainda adolescentes foram afastados, sem nunca ter sido apresentados, foram levados para continentes diferentes. Enquanto John‐E explicava a um organizador de festas em Macau que podia transformar‐se em DJ a qualquer momento, Gustavo explorava os limites dos dancefloors ingleses.

Apesar de estarem em cidades diferentes e onde neons de discotecas acendiam a horas diferentes, um amigo comum tinha um encontro planeado para eles. Tinha pensado em raves derramadas no deserto para o concretizar. Mas foi numa praia de Brighton, no mesmo fuso horário e com a brisa do mar a recordar Portugal que Gustavo e John‐E trocaram as primeiras palavras. “Foi amor à primeira vista” ‐ ambos sentiam um fascínio estranho por corpos dançantes e falavam de música sem parar. Para brindar tais semelhanças decidiram engendrar um pacto criativo: juraram fazer uma “aliança musical” para todo o sempre.

Tinham de se mudar para Londres e dançar, festejar o som de deuses electrónicos: Jeff Mills, Carl Cox, Laurent Garnier. Deviam depois separar‐se, guardando o “reencontro definitivo” para Lisboa. Tinham de percorrer metrópoles que misturassem todo o tipo de peles e cores. Só quando tivessem recolhido um número de provas suficientes (de como o mundo se mexia), passariam a ser os Stereo Addiction. No ano 2001 já nada os separava.Quando começaram a tocar juntos, Portugal estava cansado dos sons transe e de techno repetitivo. Foi assim que os Stereo Addiction se aplicaram nas lições aprendidas no estrangeiro: misturaram memórias, desenhando uma identidade mestiça.Acreditavam na pluralidade sonora.

As pequenas salas onde tocavam transformam‐se em descampados gigantes. A massa humana que se juntava para os ver, perdia‐se no horizonte. Lembrava as paisagens que viam em miúdos, quando subiam aos telhados altos de Lisboa. Os sonhos concretizavam‐se.

Em 2005 são nomeados Dj revelação pela revista “Dance Club”, a mesma revista que escolheu “Evolved” , um tema seu, como um “must have” para 2007 .

Foi durante um DJ set no Festival do Sudoeste, numa noite de entusiasmo crescente, que Gustavo perguntou a John‐E: “achas que vamos conseguir desencadear abraços na pista de dança?” . Os dados estavam lançados. Daquela pergunta desbotaria a dinâmica.

Quem os viu actuar no festival Creamfields em 2007 ou no Rock in Rio Lisboa do ano seguinte testemunhou comoção. Tinham‐se tornado especialistas de movimento para massas. Os dois DJ’s cruzavam‐se agora com os ídolos que sempre admiraram. Tocavam perto de Carl Cox, Sasha e John Digweed.Entretanto surgiram convites para viajar. O rumor de que eram capazes de milagres correu pelas pistas do Japão, e derreteu mais tarde gelo nas discotecas Suíças.Londres, a cidade que os tinha educado recebeu‐os de braços abertos.

Em 2007 participaram no Festival Atlantic Waves ao lado de Anderson Noise e Mixhell de Igor Cavalera. Tocaram no mítico Notting Hill Arts Club, no Plastic People e no the Egg . Sem esquecer as performances que fizeram no AKA, Cargo e no célebre bar/galeria Sketch. Foi por ali que conheceram outro Português, Rui da Silva (Underground Sound of Lisbon), que os apadrinhou de imediato. Em 2008 a sua editora Kismet pôs no mercado remixes da dupla, do tema de Husley & Gunz ‐“Wet Yourself” e de um original de Jonh‐E – “Melt‐A‐Seltzer”.

Ainda nas ruas de Londres, no videoclip “Shades of Light” decidiram fazer uma pequena homenagem aos ladrões de discos. São bandidos como eles aqueles que acreditam que na música existe uma partilha infinita de experiências.

“Shades of Light” foi editado pela eVapour8, de Kasey Taylor. A marca de roupa brasileira “Osklen” associou‐se aos Stereo Addiction, vincando a ideia de que no sangue destes portugueses existe o mundo todo.

John‐E continua a aperfeiçoar o seu estilo, como num filme, quer inventar um finalinesperado e surpreender no final dos seus sets. Gustavo lanca‐se em projectospessoais. De um impulso imaginário co‐produziu e foi responsável pelo line‐up da tenda sonora “Groovy Beach” no Boom Festival, em 2008.

Se o destino tivesse desenhado um encontro para estes dois rapazes transformados emalmas gémeas, nada do que lhes acontece actualmente teria um sabor tão perfeito.“E a humanidade? Como seria a humanidade se todas as pessoas decidissem começar adançar ao mesmo tempo?”.