Os Klepht estão de regresso com “Hipocondria”. O novo álbum da banda de Diogo Dias é apresentado pelo single ‘Tudo de Novo’ e tem lançamento marcado para 17 de Maio.

Para gravar o segundo registo eles mudaram-se de armas e bagagens para Weed, uma pequena cidade no meio do estado da Califórnia, nos EUA e recrutaram a produtora Sylvia Massy, vencedora de dois Grammys e conhecida pelas colaborações com Johnny Cash, Smashing Pumpkins, Prince ou Foo Fighters.

«Quisemos dar um salto, explorar novas sonoridades, métodos de produção que não fossem habituais em Portugal. (...) É sem dúvida um disco mais produzido, mais maduro e mais coeso que o primeiro», afirmou o vocalista dos Klepht, sobre “Hipocondria”.

Lê a entrevista e fica a saber o essencial sobre o novo álbum da banda do nosso VJ.


MTV: “Hipocondria” é o vosso segundo álbum. Como o descreveriam em termos de sonoridade e que diferenças apresenta em relação ao registo de estreia?
KLEPHT:
O primeiro álbum foi composto ao longo de 5 anos, não tinhamos experiência e queríamos fazer um álbum crú, sem grande produção. Ao pensar no “Hipocondria”, quisemos dar um salto, explorar novas sonoridades, métodos de produção que não fossem habituais em Portugal e tudo isto num espaço de três meses, que foi o tempo que levámos a compor e a gravar o disco. É sem dúvida um disco mais produzido, mais maduro e mais coeso que o primeiro.

MTV: Porque resolveram chamar-lhe “Hipocondria”?
KLEPHT:
Queríamos um tema forte, algo que chamasse a atenção das pessoas. Tínhamos passado um verão dominado pela Gripe A e lido uma série de artigos em jornais que falavam num comportamento de Hipocondria generalizada de toda a sociedade. Ficou claro que poderia ser o nome do álbum depois do mês e meio em que estivemos fechados em estúdio. É um processo que chega a ser doloroso, estares doze horas em estúdio a tocar a mesma música, até encontrares o resultado que pretendes. Tal como na hipocondria, por vezes sentimo-nos doentes. A cura só chegou com o resultado final. A Hipocondria é um estado psíquico em que uma pessoa tem medo de ter uma doença que na realidade não tem, apenas existe na cabeça dos pacientes e nós exorcizámos a nossa hipocondria com este álbum… Grande parte dos nossos problemas, só existem mesmo na nossa cabeça.

MTV: As gravações aconteceram numa pequena cidade do Estado da California, nos EUA. Porque viajaram até ao outro lado do oceano para gravar o segundo álbum e como decorreu todo o processo de gravações?
KLEPHT:
Era uma experiencia que, a ser feita, teria de ser agora. Gravar nos EUA com uma produtora que já venceu dois Grammys, isolados de tudo e de todos, apenas concentrados no álbum parecia o quadro perfeito para dar um passo em frente. Gravar em Weed foi uma experiencia única. Numa terra com apenas três restaurantes e um bowling, não havia nada para fazer a não ser tocar. E para isso tínhamos quatro estúdios à nossa disposição, com uma equipa técnica incrível e com todo o tipo de instrumentos para experimentarmos. Quando chegámos aos EUA tínhamos apenas os esboços das músicas, não havia letras nem arranjos. Fomos criando grande parte do álbum à medida que íamos gravando e tivemos toda a liberdade para experimentar o que queríamos. Se tivéssemos ficado mais uma semana voltávamos com dois álbuns!

MTV: A produção do registo tem a assinatura de Sylvia Massy, galardoada com dois Grammys e conhecida pelas colaborações com Foo Fighters ou Smashing Pumpkins, entre outros. Como é que surge esta colaboração e como foi trabalhar com ela?
KLEPHT:
No final da gravação do primeiro, o Francisco (guitarrista) enviou o álbum para todos os produtores musicais com quem gostaria de trabalhar. A Sylvia foi uma das produtoras que respondeu. Quando começámos a preparar o álbum, inexplicavelmente, a Sylvia voltou a enviar um mail a dizer que gostava muito de gravar o segundo álbum. Depois de várias conversas, discussões de orçamentos e de analisar as músicas, resolvemos perder a cabeça e lançarmo-nos nesta aventura. É quase impensável uma banda hoje em dia arriscar tanto. Ficámos sem editora e tivemos de arranjar dinheiro para pagar tudo. Mas o principal motivo que nos levou a gravar o álbum em Weed foi a própria Sylvia. Pela primeira vez tivemos uma produtora que adorava as nossas músicas e que acreditava 100% no álbum. É estranho sentimos que tivemos de ir para os EUA para sentirmos o nosso trabalho valorizado.

MTV: “Hipocondria” é o vosso segundo álbum e o primeiro que lançam de forma totalmente independente, sem editora, manager ou agência. Porquê este caminho?
KLEPHT:
Temos noção de que, numa altura em que o mercado discográfico está em crise, em que as editoras não têm dinheiro, seria complicado levar este projecto avante. Depois de elaborarmos estudos e orçamentos, fomos apresentar a nossa ideia à nossa editora na altura, que nos disse que era um projecto no qual não poderiam embarcar. Uma vez que tínhamos certezas do que queríamos resolvemos seguir caminhos diferente e tornar-nos completamente independentes. Tudo é mais trabalhoso mas, por outro lado, não temos ninguém a quem culpar a não ser nós mesmos, caso alguma coisa corra mal. Isso faz com que tenhamos mais responsabilidade e trabalho nos Klepht.

MTV: Os Klepht têm sido acompanhados por uma base fiel de fãs. Gostava de terminar a entrevista com uma mensagem vossa para quem acompanha o vosso trabalho.
KLEPHT:
Já tivémos a primeira experiência com as novas músicas, na Queima das Fitas de Leiria, e a reacção foi óptima. Queremos correr o país inteiro a mostrar este “Hipocondria” e receber a reacção das pessoas. Quando fomos para os EUA apostámos muito na promoção do Facebook. Isso deu frutos e hoje temos uma comunidade grande de seguidores. Todos os dias estamos em contacto com as pessoas que nos seguem e isso é óptimo, pois permite-te ter uma proximidade que antes era impossível ter.



Samuel Cruz

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