Depois de um hiato de sete anos, o quarteto que se juntou em 1989, em Limerick, na Irlanda, está de regresso. Os Cranberries aproveitaram os últimos tempos para se dedicarem a projectos a solo e, ainda que sem álbuns novos na bagagem, esgotaram o Campo Pequeno, em Lisboa, com um dos concertos da digressão europeia.

Conhecida pela fusão inconfundível de indie rock com pop e sons com inspirações tradicionais irlandesas e, claro, a voz única da sua vocalista, aquela que é uma das bandas de maior sucesso da década de ’90 e provavelmente uma das mais conhecidas da Irlanda depois dos U2, deu início ao concerto com ‘Analyse’, single maior do último álbum que editaram, “Wake Up And Smell The Coffee” (2001). Logo os fãs mostraram toda a sua euforia e saudosismo, ou não fosse o nosso país um dos que sempre melhor recebeu Dolores O'Riordan (voz, guitarra), Mike Hogan (baixo), Noel Hogan (guitarra) e Fergal Patrick Lawler (bateria), que se fizeram acompanhar ainda por Denny DeMarchi (teclas, guitarra). Seguiu-se um concerto em modo 'greatest hits', com passagem assegurada por todos os álbuns do grupo, dos incontornáveis "Everybody Else is Doing It, So Why Can't We?" (1992) e "No Need to Argue " (1994) a "To The Faithful Departed" (1996), sem esquecer "Bury The Hatchet" (1999).

Os anos parecem não ter passado pela banda, sobretudo por Dolores O'Riordan, que continua a ser a imagem de marca do grupo. A vocalista canta com a sua inconfundível pronuncia irlandesa, toca guitarra, passa a noite a calcorrear o palco de uma ponta à outra, salta, dança, vai até à boca do palco cumprimentar os fãs e não se cança de elogiar o público tuga, chegando mesmo a afirmar que «vocês foram a melhor audiência da Europa até agora».

Verdadeiros “lamentos” da “geração ’90” que ouvia mais do que o grunge do momento, como ‘Linger’, ‘When You're Gone’ ou ‘Ode To My Family’ foram entoados pelo público, no entanto, é nas músicas mais enérgicas que os Cranberries continuam a destacar-se, não sendo, por isso, de estranhar que alguns dos melhores momentos da noite tenham acontecido ao som das frenéticas ‘I Can't Be With You’, ‘Salvation’ ou ‘Zombie’. Houve ainda tempo para explorar as duas edições em nome próprio da vocalista, “Are You Listening?” (2007) e “No Baggage” (2009), com ‘Ordinary Day’, música inspirada numa das filhas da cantora, e ‘The Journey’, respectivamente, esta última já no encore, a par das explisivas ‘Promises’ e ‘Dreams’, que fecharam a noite, em clima de verdadeira euforia.

Em tempo de regresso aos concertos de alguns dos maiores ícones dos anos ’80 e ’90 – como os No Doubt ou os Spandau Ballet - os Cranberries também parecem ter vindo para ficar e, já nas despedidas após cerca de uma hora e meia de concerto, prometeram regresso a Portugal para breve, muito provavelmente para apresentar novo álbum de originais, cuja edição deve acontecer este ano.


Alinhamento:
Analyse
Animal Instinct
How
Ordinary Day
Linger
Dreaming My Dreams
When You're Gone
Wanted
Liar
Desperate Andy
Time Is Ticking Out
I Can't Be With You
Ode To My Family
Free To Decide
Salvation
Ridiculous Thoughts
Zombie

Encore
Shattered
The Journey
Promises
Dreams



Samuel Cruz

No Need To Argue

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