Dois meses após a passagem pelo festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia, os Goldfrapp voltaram a Portugal, desta feita para um concerto em Lisboa. O Coliseu dos Recreios abriu as portas para a electrónica misteriosa de Alison e Will Gregory, que vieram apresentar “Head First”, álbum com claras inspirações nas sonoridades synthpop dos 80’s, editado em Março deste ano. Apesar de não ter casa cheia à sua espera, a dupla, que ao vivo se apresenta como quinteto, não desarmou e protagonizou um concerto competente e pleno de energia.

Alison Goldfrapp, a cara e o nome da formação, apresentou-se em Lisboa vestida de preto, com calças justas brilhantes e um casaco excêntrico de fitas igualmente brilhantes e esvoaçantes, acompanhada por um grupo de músicos que envergavam roupas igualmente inspiradas na pop dos anos 80. A loira que comanda estas tropas começou por cumprimentar o público e logo se atirou sem demoras à electrónica recheada de glamour de ‘Crystalline Green’, de “Black Cherry” (2003) e ‘You Never Know’, de “Supernature” (2006). Seguiram-se ‘Dreaming’, ‘I Wanna Life’ e ‘Head First ‘, todas do álbum mais recente.

A voz única e misteriosa e a postura insinuante da cantora foi conquistando a plateia, mas só à sexta música, o ‘hit’ ‘Number 1’, o público respondeu com mais entusiasmo e começou a sair de alguma letargia em que parecia mergulhado. «Acho que conhecem esta», dizia Alison, antes de interpretar aquele que foi um dos singles de “Supernature”. Depois foi servida nova sequência de “Head First”, composta pelos singles orelhudos ‘Rocket’, ‘Alive’ e ‘Believer’.

A expectativa pelos temas mais antigos era notória. «Senhoras e senhores, quero ver-vos a mexer com esta música», disse a britânica, antes de apresentar uma das músicas mais esperadas da noite, o hipnótico ‘Train’, seguido pelos esperados e irresistíveis ‘Ride A White Horse’ e ‘Ooh La La’. Estava terminada em grande a primeira parte do concerto.

No regresso ao palco Alison surge com novo e igualmente excêntrico casaco. Ouvimos ‘Hunt’, do último álbum, e a enérgica e lírica ‘Lovely Head’, de “Felt Montain” (2000), porventura uma das melhores músicas de todo o concerto.

Novo encore, novo casaco, agora em tons de rosa, para a despedida ao som de ‘Strict Machine’, um dos grandes temas do álbum “Black Cherry”. De fora do alinhamento ficaram pérolas como ‘Utopia’, ‘Human’, ‘Pilots’, ‘Tiptoe’, ‘Black Cherry’, ‘Satin Chic’, ‘Happines’ ou ‘Clowns’ e o álbum “Seventh Tree” (2008), que marcou um regresso à folk do início de carreira, foi completamente ignorado. No entanto, os Goldfrapp foram os protagonistas de um concerto eléctrico, eficaz e bastante competente e com alguns momentos para mais tarde recordar. Ainda assim, estiveram longe de conseguir transformar completamente a sala lisboeta numa verdadeira pista de dança.

Alinhamento do concerto:

Crystalline Green
You Never Know
Dreaming
I Wanna Life
Head First
Number 1
Alive
Rocket
Believer
Shiny And Warm
Train
Ride A White Horse
Ooh La La

Encore 1
Hunt
Lovely Head

Encore 2
Strict Machine


Samuel Cruz


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