O segundo dia da terceira edição do Super Bock em Stock trouxe chuva e algumas das actuações mais esperadas, entre as quais a de Janelle Monáe.

A nossa noite teve início no espaço BES Arte e Finança, onde actuou I Blame Coco, o projecto da filha de Sting Coco Sumner. Na estreia em Portugal a jovem de 22 anos tinha à sua espera uma plateia animada de seguidores, conquistados com as composições pop rock electrónico com travo a anos 80 do álbum “The Constant”, que editou este ano. «Olá Lisboa, como estão? Sempre quis vir cá», afirmou a cantora, antes de começar aquele que apresentou como seu último concerto do ano, ao som de ‘Party Bag’. A voz rouca cujo timbre chega a lembrar o do pai, o look algo descuidado de “rock star”, acompanhado pela postura desengonçada e o olhar desafiante e hipnótico são as imagens de marca da simpática Sumner que, ao vivo, se faz acompanhar por uma dinâmica banda. O single ‘Self Machine’ e a viciante ‘In Spirit Golden’ foram bastante aplaudidas. Para o final guardou ‘No Smile’ e ‘Quicker’. ‘Caesar’, a parceria com Robyn, que a apresentou ao mundo, encerrou o concerto em grande estilo.

È tempo de apressar o passo para ver Janelle Monáe. A rainha da noite tinha casa cheia à sua espera e uma fila de fãs a perder de vista ficou à porta, dada a lotação esgotada do Tivoli. Quando conseguimos finalmente entrar no espectáculo já a norte-americana de apenas 25 anos canta uma brilhante versão de ‘Smile’, o clássico de Charlie Chaplin, acompanhada por uma banda absolutamente irrepreensível, com todos os músicos vestidos de branco e negro, à semelhança de Miss Monáe, com a sua popular poupa. Alguns bailarinos ajudam a manter o clima de festa e euforia em que os temas do álbum “The ArchAndroid” se transformam ao vivo. Janelle é uma figura imparável: canta como poucas, dança, corre freneticamente, deita-se no chão com “espasmos”… enquanto vai apresentando o seu espectáculo claramente pensado ao pormenor. ‘Wondaland’, ‘Mushrooms & Roses’ e a esperada ‘Cold War’, com direito a chuva de confettis e balões pretos e brancos a esvoaçar pela sala, são recebidas entusiasticamente, tal como a bombástica ‘Tightrope’. Para o encore ficou reservado o explosivo ‘Come Alive (War of the Roses)’, tema durante o qual a cantora irrompeu para o meio do público em delírio. A talentosa Janelle Monáe é a estrela do presente e do futuro. Mesmo com alguns problemas se som este foi um dos concertos de 2010.

Dali rumamos ao São Jorge, onde já actua a ArtHouse Big Band, projecto que juntou no mesmo palco representantes de bandas da promotora Art House: os Nu Soul Family, João Só e Abandonados, Moonspell, peixe:avião, Easyway, Sean Riley and the Slow Riders e Mazgani (presença virtual gravada) e João Coração. Quando entramos na sala Virgul e Dino (Nu Soul Family) cantam com João Só uma versão funk dançável de ‘Amar-te’, tema de João Só e Abandonados, seguida de ‘Please Don’t Tell Me (What)’; depois os peixe:avião tocaram Sean Riley & The Slowriders e o single ‘Jogo da Quimera’; Tiago Afonso, dos Easyway, cantou uma cover rock de ‘This Is for My People’, dos Nu Soul Family, e ‘The Viewer’; e Sean Riley & The Slowriders tocaram João Coração. A actuação virtual de Mazgani, que cantou um tema seu e ‘Everything Invaded’, dos Moonspell, foi a que teve uma recepção mais entusiasta.

Márcia, Lula Pena, Junip (a banda de José González), Nuno Prata, Linda Martini, Batida e Vicente Palma também actuaram na segunda noite do Super Bock em Stock 2010, tal como os Youthless, que passaram a noite a dar música no autocarro que subia e descia a avenida. No próximo ano haverá mais.


Samuel Cruz


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